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Dor na coluna: quando se preocupar e quais exames podem ajudar no diagnóstico?
Publicado em 28 de setembro de 2026

Dor na coluna: quando se preocupar e quais exames podem ajudar no diagnóstico?

Dor na coluna é uma queixa comum e, na maioria das vezes, melhora em poucos dias. Mas quando a dor persiste, irradia para a perna, vem acompanhada de formigamento ou perda de força, ou aparece junto a outros sinais de alerta, é importante procurar avaliação médica.

Essa é uma das principais questões discutidas no 12º episódio do podcast Laudos & Conexões, do Centro Diagnóstico Lucilo Ávila. A radiologista Dra. Mirela Ávila recebe o neurocirurgião Dr. Juliano Chaves para uma conversa sobre dor na coluna, sinais de alerta, exames de imagem, hérnia de disco, tratamentos e procedimentos minimamente invasivos.

Um dos principais pontos da conversa é que sentir dor na coluna não significa automaticamente ter uma doença grave. Da mesma forma, encontrar uma alteração em uma ressonância ou outro exame de imagem não significa, necessariamente, que aquela alteração seja a causa dos sintomas.

O diagnóstico depende da combinação entre a história do paciente, o exame clínico e, quando indicado, o exame de imagem mais adequado para cada situação.

Quando a dor na coluna é preocupante?

Na maioria dos casos, a dor lombar é autolimitada e tende a melhorar. Ela pode aparecer depois de uma atividade física, esforço ou movimento diferente e desaparecer após alguns dias.

Mas existem situações em que a dor precisa ser investigada com mais atenção.

Entre os sinais de alerta estão:

  • dor que persiste ou piora;
  • dor que irradia da coluna para a nádega ou perna;
  • formigamento ou alterações de sensibilidade;
  • perda de força na perna;
  • dificuldade para caminhar;
  • febre;
  • perda de peso;
  • dor depois de um trauma;
  • histórico de câncer;
  • imunossupressão ou uso de medicamentos imunossupressores e corticoides.

Esses sinais não significam, por si só, que exista uma doença grave. Eles indicam que é importante avaliar o quadro com mais cuidado para entender a causa da dor.

Dor na coluna que desce para a perna pode ser sinal de compressão de nervo?

Sim. A dor que sai da região lombar e irradia para a nádega ou perna pode estar relacionada a um comprometimento das raízes nervosas.

Esse tipo de dor, chamado de dor radicular, pode vir acompanhado de formigamento, alteração da sensibilidade, sensação de peso ou perda de força.

A persistência desses sintomas é um motivo para investigação médica. A presença de perda de força ou paralisia, mesmo parcial, merece uma avaliação ainda mais cuidadosa.

Por isso, uma dor na perna não deve ser automaticamente atribuída a permanecer muito tempo sentado ou a uma posição inadequada.

Toda dor na coluna é hérnia de disco?

Não.

A hérnia de disco é apenas uma das possíveis causas de dor na coluna. Infecções, traumas, alterações degenerativas e outras condições também podem estar envolvidas.

Além disso, uma pessoa pode apresentar uma hérnia, protrusão ou abaulamento do disco em um exame de imagem sem que essa alteração seja a responsável pela dor.

Esse é um dos pontos importantes discutidos no episódio: o resultado do exame precisa ser interpretado em conjunto com os sintomas e a avaliação clínica.

Ter hérnia de disco na ressonância significa que ela é a causa da dor?

Não necessariamente.

A ressonância magnética consegue mostrar muitas estruturas da coluna, incluindo discos, canal vertebral e estruturas nervosas. Por isso, é comum que o exame identifique alterações que podem estar relacionadas ao processo natural de envelhecimento.

Protrusões, abaulamentos e outras alterações podem aparecer inclusive em pessoas que não apresentam sintomas importantes.

O Dr. Juliano Chaves compara essas alterações às marcas que acumulamos ao longo da vida: a coluna também passa por mudanças com o tempo, e nem todas representam uma doença ou explicam uma dor.

Por isso, uma imagem não deve ser analisada isoladamente.

Qual exame fazer para dor na coluna: raio X, tomografia ou ressonância?

Não existe um único exame indicado para todos os casos de dor na coluna.

Raio X, tomografia computadorizada e ressonância magnética têm funções diferentes, e a escolha depende da suspeita clínica e do que precisa ser investigado.

Raio X da coluna

O raio X permite avaliar principalmente estruturas ósseas e pode fornecer informações importantes sobre a coluna em posição ortostática, ou seja, com o paciente em pé.

Em determinadas situações, podem ser realizadas imagens em flexão e extensão. Isso pode ajudar na avaliação de movimentos ou deslocamentos vertebrais que não aparecem da mesma maneira quando o paciente está deitado.

Por isso, o raio X não deve ser considerado um exame ultrapassado. Dependendo da situação clínica, ele pode ser justamente o exame mais adequado.

Tomografia da coluna

A tomografia computadorizada tem grande capacidade para avaliar estruturas ósseas.

Ela pode ser particularmente útil quando existe suspeita de alterações que envolvem o osso, além de contribuir para a avaliação de determinadas estruturas articulares.

Ressonância magnética da coluna

A ressonância magnética permite avaliar com maior detalhamento estruturas como discos intervertebrais, canal vertebral e estruturas nervosas.

Por mostrar muitas informações ao mesmo tempo, ela pode ser bastante útil em determinadas situações, mas isso não significa que seja sempre o primeiro ou o melhor exame para qualquer dor na coluna.

A indicação deve partir da avaliação clínica e da hipótese diagnóstica.

Por que não é indicado simplesmente pedir uma ressonância para qualquer dor na coluna?

Porque mais informação no exame não significa necessariamente um diagnóstico melhor.

A ressonância pode identificar alterações que não têm relação com os sintomas do paciente. Quando isso acontece, um achado do exame pode acabar sendo interpretado como a causa da dor sem que exista uma correlação clínica suficiente.

Por isso, a avaliação médica antes da realização do exame é importante para definir o que precisa ser investigado e qual exame pode responder melhor àquela pergunta clínica.

O próprio episódio destaca que o melhor exame nem sempre será uma ressonância. Em determinadas situações, um raio X pode fornecer a informação necessária.

A imagem da coluna mostra tudo o que o paciente tem?

Não.

O exame de imagem é uma parte da investigação. Ele precisa ser relacionado à história do paciente e ao exame físico.

É possível encontrar alterações importantes na imagem de uma pessoa que mantém uma rotina ativa e praticamente não apresenta sintomas. Também pode acontecer o contrário: uma pessoa apresentar dor significativa sem que o exame de imagem explique completamente o quadro.

Essa diferença entre imagem e sintomas é uma das razões pelas quais o diagnóstico não deve ser feito apenas olhando o laudo ou as imagens.

Dor na coluna significa que vou precisar de cirurgia?

Na maioria dos casos, não.

Segundo o Dr. Juliano Chaves, estima-se que aproximadamente 5% a 10% dos pacientes com dor na coluna sejam realmente cirúrgicos.

O tratamento depende da causa, da intensidade e da duração dos sintomas, dos achados do exame clínico e dos resultados dos exames quando necessários.

As possibilidades podem incluir:

  • medicamentos;
  • fisioterapia e reabilitação;
  • procedimentos direcionados para o tratamento da dor;
  • procedimentos percutâneos;
  • cirurgia, quando existe indicação.

Alguns quadros são claramente cirúrgicos, especialmente quando há determinadas alterações neurológicas ou outras situações específicas. Mas eles representam uma parcela menor dos casos.

Quais são os tratamentos para dor na coluna além da cirurgia?

O tratamento pode envolver diferentes estratégias, dependendo do diagnóstico.

A reabilitação física tem papel importante em muitos casos, assim como medicamentos para controle da dor.

Também existem procedimentos percutâneos, realizados com agulhas ou cânulas muito finas para alcançar uma região específica e administrar medicamentos ou realizar determinadas intervenções.

Em alguns casos de hérnia de disco, por exemplo, pode ser realizada uma infiltração direcionada para a região da raiz nervosa comprometida.

Em pacientes com determinadas fraturas vertebrais associadas à osteoporose, existem ainda procedimentos nos quais uma cânula fina é utilizada para injetar cimento na vértebra.

A indicação depende sempre do diagnóstico e das características de cada paciente.

O que são procedimentos minimamente invasivos na coluna?

São técnicas que procuram tratar determinadas condições utilizando acessos menores e menor agressão aos tecidos, quando isso é possível e indicado.

O episódio aborda procedimentos percutâneos e diferentes abordagens cirúrgicas que podem reduzir a agressão muscular em determinados casos.

Essas técnicas podem estar associadas a menor perda sanguínea, recuperação mais rápida e menor tempo de internação, mas não são adequadas para todos os pacientes ou para todos os tipos de problema na coluna.

A escolha da técnica depende do diagnóstico, da anatomia e do objetivo do tratamento.

Quem já fez cirurgia de coluna pode voltar a fazer atividade física?

Em muitos casos, sim, mas o retorno deve ser planejado de acordo com o procedimento realizado e com a evolução de cada paciente.

O movimento faz parte da recuperação e pode ajudar a reduzir complicações relacionadas ao período de imobilidade. A progressão das atividades deve respeitar as orientações da equipe responsável pelo acompanhamento.

O objetivo não é manter o paciente permanentemente limitado após o tratamento. Quando a recuperação permite, a tendência é retomar gradualmente as atividades, incluindo exercícios físicos.

Como prevenir problemas na coluna?

Não existe uma medida capaz de impedir todos os problemas de coluna, mas alguns cuidados fazem parte de uma rotina saudável.

Entre eles estão:

  • manter um peso adequado;
  • praticar atividade física;
  • trabalhar a mobilidade;
  • preservar a massa muscular;
  • cuidar de outras condições de saúde;
  • evitar longos períodos de inatividade;
  • buscar avaliação quando os sintomas persistirem.

A saúde da coluna também está relacionada à condição geral do organismo. Alterações como perda de massa muscular, excesso de peso e outras condições clínicas podem contribuir para sobrecarga das articulações e para o aparecimento ou agravamento de sintomas.

Quando procurar um especialista para dor na coluna?

Uma avaliação médica é especialmente importante quando a dor persiste, limita as atividades do dia a dia ou vem acompanhada de sintomas neurológicos, como irradiação para a perna, alterações de sensibilidade ou perda de força.

Também é importante procurar atendimento diante de sinais de alerta como febre, perda de peso, trauma, histórico de câncer ou imunossupressão.

O objetivo da consulta não é apenas descobrir “qual exame fazer”, mas entender por que a dor está acontecendo e qual investigação é realmente necessária.

Dor na coluna: o que o exame de imagem pode e não pode dizer?

O exame de imagem pode fornecer informações importantes, mas não deve ser interpretado de forma isolada.

Uma ressonância pode mostrar uma hérnia de disco, uma protrusão ou outras alterações. Isso não significa automaticamente que aquela alteração seja responsável pelos sintomas.

Da mesma forma, uma coluna com diversas alterações relacionadas à idade pode pertencer a uma pessoa sem dor e com uma vida ativa.

Por isso, o diagnóstico deve considerar três elementos principais:

1. História do paciente
Como a dor começou, quanto tempo dura, onde está localizada e como evolui.

2. Avaliação clínica
Exame físico e identificação de sinais neurológicos ou outros sinais de alerta.

3. Exame de imagem, quando indicado
Escolhido de acordo com a hipótese diagnóstica e com a informação que precisa ser investigada.

A combinação desses elementos permite uma avaliação mais precisa e ajuda a definir o tratamento adequado.

Dor na coluna: quando se preocupar?

Em resumo, a maioria das dores lombares é leve e autolimitada, mas alguns sintomas merecem investigação.

Procure avaliação médica quando houver:

  • dor persistente;
  • dor irradiada para a perna;
  • formigamento ou alteração da sensibilidade;
  • perda de força;
  • dificuldade para caminhar;
  • febre;
  • perda de peso;
  • dor após trauma;
  • histórico de câncer;
  • imunossupressão.

E lembre-se: dor na coluna não significa automaticamente uma doença grave, assim como uma alteração na imagem não significa necessariamente que ela seja a causa da dor.

A avaliação clínica é o ponto de partida para entender o quadro e definir se algum exame é necessário e qual exame pode fornecer a melhor resposta.

Quer saber mais sobre dor na coluna?

🎙️ No episódio 12 do Laudos & Conexões, a Dra. Mirela Ávila conversa com o Dr. Juliano Chaves, neurocirurgião, sobre dor na coluna, sinais de alerta, exames de imagem, hérnia de disco, tratamentos e procedimentos minimamente invasivos.

Uma conversa para entender melhor quando a dor na coluna precisa ser investigada, qual é o papel de cada exame e por que o resultado da imagem precisa ser relacionado aos sintomas do paciente.

Assista ao episódio completo:

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