Mamografia, ultrassom ou ressonância, qual é o exame mais completo? Essa é uma das dúvidas mais comuns entre as mulheres, e a resposta, segundo a Dra. Patrícia Cravo, radiologista, e a Dra. Denise Sobral, mastologista, convidadas do podcast Laudos & Conexões, é que não existe um exame melhor. Existe o exame adequado para cada momento, cada faixa etária e cada histórico clínico.
Na prática, a idade costuma guiar a primeira escolha. Mulheres com menos de 40 anos costumam ser avaliadas com ultrassom, suficiente para essa fase da vida. A partir dos 40 anos, a recomendação de regra passa a ser a mamografia, podendo ser complementada com ultrassom quando necessário. Pacientes com maior risco, por histórico familiar de câncer de mama, por exemplo, podem precisar antecipar essa avaliação.
A mamografia segue sendo o exame mais estudado para o rastreamento do câncer de mama, e é o único método com comprovação, ao longo de décadas de pesquisa, de reduzir a mortalidade pela doença. Um dos motivos é a sua capacidade de detectar microcalcificações, pequenos sinais que podem aparecer antes mesmo de um nódulo se formar. Segundo a Dra. Patrícia, encontrar o câncer nessa fase inicial pode significar um tratamento mais simples e uma chance de cura que beira os 100%.
Ainda assim, dois medos costumam afastar as mulheres desse exame, a dor e a radiação. Sobre a dor, a Dra. Denise explica que o exame dura poucos segundos, e que equipamentos mais modernos tornam a compressão da mama bem mais suave do que era há alguns anos, algo que pode ser potencializado evitando o período pré-menstrual, quando a mama fica mais sensível. Já sobre a radiação, a Dra. Patrícia é direta, a quantidade utilizada na mamografia é extremamente baixa, menor até do que a radiação a que qualquer pessoa está exposta em poucos dias de vida cotidiana, e os estudos não mostram relação entre o exame e o aumento do risco de câncer de tireoide.
Outro avanço mencionado na conversa é a tomossíntese, uma mamografia mais elaborada, que registra a mama em camadas, como fatias, facilitando a identificação de nódulos, distorções e calcificações que poderiam ficar escondidos em uma mamografia convencional. Segundo a Dra. Patrícia, essa tecnologia também reduz a taxa de reconvocação, aquele retorno para repetir o exame que costuma gerar bastante ansiedade nas pacientes.
E a ressonância, por que não é feita em todas as mulheres, já que enxerga tanta coisa? Justamente por ser um exame muito sensível, a ressonância também identifica alterações benignas, e pedi-la de forma indiscriminada pode levar a biópsias desnecessárias. Por isso, ela costuma ser reservada para situações específicas, como pacientes de alto risco, mulheres jovens com lesões suspeitas, casos em que o exame físico não bate com a imagem, acompanhamento de quimioterapia, ou avaliação de próteses mamárias, que, vale lembrar, não sofrem qualquer risco durante a realização da mamografia.
Por fim, um lembrete importante trazido pela Dra. Denise: exames recentes não descartam a necessidade de investigar qualquer alteração percebida no dia a dia. Um nódulo, uma área avermelhada ou endurecida, alterações no formato do mamilo, ou uma pele que lembra casca de laranja merecem avaliação médica, mesmo sem dor, já que o câncer de mama, na maioria das vezes, não dói.
A mensagem que resume bem essa conversa é que mamografia, ultrassom e ressonância não são exames concorrentes, são ferramentas diferentes que, quando bem indicadas, se complementam. Cuidar da saúde das mamas não é sobre fazer todos os exames possíveis, é sobre conhecer sua história, entender o seu risco e manter o acompanhamento adequado. O episódio completo do Laudos & Conexões, com a Dra. Patrícia Cravo e a Dra. Denise Sobral, está disponível no site e nos aplicativos de podcast do Centro Diagnóstico Lucilo Ávila.
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