Descobrir um nódulo na tireoide durante um ultrassom costuma gerar preocupação imediata. Para muitas pessoas, a primeira associação é com câncer e, logo depois, surgem dúvidas sobre a necessidade de fazer uma punção ou até uma cirurgia.
Esse é o tema do novo episódio do podcast Laudos & Conexões, do Centro Diagnóstico Lucilo Ávila, que reúne a endocrinologista Dra. Ana Carla Montenegro e o radiologista Dr. Fernando Gurgel para uma conversa clara e acessível sobre diagnóstico, acompanhamento e investigação dos nódulos da tireoide.
A maioria dos nódulos é benigna
Um dos principais pontos reforçados no episódio é justamente o mais tranquilizador: a grande maioria dos nódulos da tireoide é benigna.
Além disso, nem todo nódulo precisa ser puncionado ou tratado. Dependendo das características encontradas no ultrassom, o acompanhamento periódico pode ser a conduta mais adequada.
O que é avaliado no ultrassom?
Durante muito tempo, o tamanho foi um dos principais parâmetros utilizados para determinar quais nódulos deveriam ser investigados.
Hoje, a avaliação é mais detalhada.
Como explicado no podcast, o ultrassom permite analisar características como composição, margens, formato e presença de microcalcificações.
A combinação dessas informações ajuda a estabelecer o grau de suspeição e orientar os próximos passos.
O que significa TI-RADS?
Durante a conversa no Laudos & Conexões, os especialistas também explicam o sistema TI-RADS, utilizado para padronizar a avaliação ultrassonográfica dos nódulos da tireoide.
É importante compreender que o número do TI-RADS, isoladamente, não representa um diagnóstico de câncer.
Um nódulo classificado como TI-RADS 4, por exemplo, não necessariamente precisará ser puncionado. A classificação deve ser interpretada juntamente com o tamanho e as demais características encontradas no exame.
Por isso, tentar interpretar o resultado apenas pesquisando a classificação na internet pode gerar ansiedade desnecessária.
Todo nódulo precisa de punção?
Não.
Um dos objetivos de uma avaliação adequada é justamente identificar quais nódulos realmente precisam de investigação por punção e quais podem ser acompanhados.
No episódio, os especialistas reforçam que muitos nódulos não precisam de tratamento nem de punção.
Em alguns casos, acompanhar não significa “não fazer nada”. Significa adotar a conduta indicada para aquele achado e evitar procedimentos desnecessários.
Quando a punção é necessária, como funciona?
Outro tema que costuma gerar ansiedade e que foi explicado no podcast é a Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF).
Apesar do nome, trata-se de um procedimento simples.
A coleta é realizada com uma agulha fina e guiada por ultrassom, permitindo ao radiologista acompanhar em tempo real a posição da agulha e o local de coleta do material.
Segundo o Dr. Fernando Gorgel explica no episódio, a coleta propriamente dita dura, em média, cerca de 30 segundos.
As células obtidas são colocadas em lâminas e encaminhadas para análise citopatológica.
E se o resultado disser “material insuficiente”?
O episódio também aborda uma situação que pode gerar dúvida e frustração: quando o resultado informa que o material coletado foi insuficiente.
Isso não significa necessariamente que o procedimento tenha sido realizado de forma inadequada.
Em determinadas situações, a amostra pode não apresentar quantidade suficiente de células para permitir uma conclusão diagnóstica.
Uma das estratégias discutidas no Laudos & Conexões é a avaliação do material por um citopatologista ainda no momento da coleta. Dessa forma, caso não haja células suficientes, pode ser possível realizar uma nova coleta naquele mesmo momento.
E se for câncer?
Mesmo diante da possibilidade que mais preocupa os pacientes, existe uma informação importante.
No episódio, a Dra. Ana Carla Montenegro explica que o câncer da tireoide apresenta, na grande maioria dos casos, evolução bastante favorável, com chance de cura superior a 95%.
Além disso, seu tratamento pode ser bastante diferente daquele que muitas pessoas imediatamente associam à palavra câncer.
A informação adequada, portanto, também é importante para evitar que um achado no exame seja transformado antecipadamente em um diagnóstico.
Informação também é cuidado
A principal mensagem da conversa é simples: descobrir um nódulo na tireoide não deve ser motivo para desespero.
O achado precisa ser corretamente caracterizado para que seja possível determinar a conduta adequada.
Em alguns casos, será necessário investigar. Em outros, acompanhar será suficiente.
Um ultrassom de qualidade, a indicação adequada de punção quando necessária e a integração entre os profissionais envolvidos ajudam a tornar essa jornada mais segura e tranquila.
Quer saber mais?
🎙️ Confira o episódio completo do Laudos & Conexões, com a Dra. Ana Carla Montenegro e o Dr. Fernando Gurgel.
Uma conversa para entender melhor os nódulos da tireoide, o papel do ultrassom, quando a punção é necessária e por que informação de qualidade também faz parte do cuidado.
Onde assistir: