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Como superar o medo de fazer exame e por que ele acontece?
Publicado em 1 de julho de 2026

Como superar o medo de fazer exame e por que ele acontece?

Um psiquiatra e uma radiologista explicam o que está por trás desse sentimento muito mais comum do que as pessoas imaginam.

Você já adiou um exame por medo? Se a resposta for sim, saiba que você não está só.

O medo de fazer exames de imagem é um sentimento comum dentro de uma clínica de diagnóstico.. Medo da ressonância, da mamografia, do contraste, da dor e, principalmente, medo do resultado.

Neste artigo, com base em uma conversa entre Dr. Amaury Cantilino, psiquiatra e psicoterapeuta e Dra. Viviane Medeiros, radiologista com mais de dez anos de experiência no Lucilo Ávila, a gente vai entender por que esse medo existe e o que pode ser feito.

O medo é normal. O problema é quando ele paralisa.

A primeira coisa que Dr. Amaury deixa claro é que sentir medo diante de um exame é uma reação esperada. “Ninguém vai fazer um exame de imagem se está tudo bem. normalmente, o que acontece é que surgiu uma suspeita de alguma coisa. E aí, naturalmente, surge uma incerteza.”

E incerteza, para o cérebro humano, é desconforto. “Nossa cabeça é uma máquina de predição. Ela precisa de previsibilidade para que a gente tome decisões mais assertivas. Quando surge um exame, surge a dúvida — qual será o resultado? — e isso naturalmente gera mal-estar.”

O problema começa quando esse medo deixa de ser passageiro e passa a controlar decisões: a pessoa começa a adiar. E adiar. E adiar.

O custo de adiar

Adiar um exame parece aliviar. E alivia mesmo, no curto prazo. Dr. Amaury explica o mecanismo com precisão: “a pessoa está muito ansiosa, adia o exame e aquela ansiedade diminui. É como se o cérebro aprendesse que aquilo funciona.”

Mas o alívio é temporário. A dúvida continua lá. E junto com ela vem a culpa — porque a pessoa sabe que precisa fazer o exame, sabe que está adiando algo importante para a própria saúde.

“O adiamento do exame gera uma falsa sensação de segurança”, resume o psiquiatra. E essa sensação, repetida vezes suficientes, pode atrasar um diagnóstico que, se feito cedo, mudaria completamente o curso do tratamento.

Dois perfis que toda equipe de radiologia conhece

Dra. Viviane descreve dois padrões clássicos de paciente com medo que ela vê na rotina.

O primeiro é aquele que chega e, antes mesmo do bom dia, já diz: “doutora, faz dois dias que eu não durmo.” A ansiedade está visível, falada, presente.

O segundo é mais difícil de identificar: entra na sala em silêncio, cabeça baixa, não responde ao cumprimento, não lembra o nome do médico, não sabe por que está fazendo o exame. “são casos onde a pessoa fica paralisada por conta do medo”, explica a radiologista.

Em ambos os casos, a abordagem começa antes do exame. “eu costumo dizer que o exame de ultrassom não começa quando a gente coloca o gel. começa quando você pergunta o nome do paciente, o motivo de estar ali e de forma clara pergunta: você está com medo? Medo de quê?”

Por que a ressonância magnética assusta tanto

Entre todos os exames, a ressonância é o que mais gera ansiedade. E existe uma explicação científica para isso.

“Toda situação de imobilização dispara a amígdala”, explica Dr. Amaury, “que é a região cerebral responsável pelo preparo para a fuga ou para a luta.” O resultado é uma cascata de reações físicas: taquicardia, sudorese, tremores, sensação de falta de ar. E tudo isso pode começar antes mesmo de entrar na sala só de imaginar o que vai acontecer.

A boa notícia é que os equipamentos modernos evoluíram. Aparelhos mais largos, headphones com música de escolha do paciente, comunicação direta com o técnico durante todo o exame, a possibilidade de um familiar ficar de mãos dadas do lado de fora. “A gente vem progredindo muito em relação aos medos de ressonância”, diz Dra. Viviane. “Principalmente mostrando para o paciente: abrindo a sala, dizendo — é aqui que você vai fazer o exame. O que você precisa? Uma mão? Uma música?”

Para casos mais intensos, Dr. Amaury recomenda algumas sessões com psicólogo especializado em terapia cognitivo-comportamental antes do exame para aprender técnicas de respiração, relaxamento muscular e reestruturação dos pensamentos. Em algumas situações, uma medicação leve pode ser indicada, sem necessidade de sedação.

O medo que ninguém fala: o medo do resultado

“Para mim, esse é o mais importante e o mais difícil de todos”, diz Dra. Viviane. “Muitas vezes o paciente não tem medo do exame. Ele tem medo do que vai descobrir.”

Dr. Amaury chama isso de negação: um mecanismo de defesa natural da mente humana. “Se eu não vejo, não está acontecendo.” e esse mecanismo pode ser alimentado por histórico familiar de doenças graves, por relatos de pessoas próximas que sofreram, por notícias negativas que marcam mais do que as positivas.

Mas existe um dado que costuma surpreender: a grande maioria dos exames não traz más notícias. E quando traz, o diagnóstico precoce muda completamente o prognóstico. “A certeza, mesmo que difícil, alivia mais do que a incerteza”, resume Dr. Amaury.

Dra. Viviane lembra de uma paciente que chegou com uma mama quatro vezes maior que a outra e disse: “doutora, eu sei que eu vou morrer.” O resultado do exame revelou um tumor benigno. “Ela ficou morrendo de vergonha e disse: quando precisar de alguém para encorajar outras pacientes a virem fazer o exame, pode me chamar.”

Coragem não é ausência de medo

Uma das frases mais marcantes do episódio vem do Dr. Amaury, inspirada em Aristóteles: “a coragem não é a ausência de medo. A coragem é você fazer mesmo com medo.”

A ideia não é eliminar a ansiedade antes de ir. É reconhecer que ela existe e ir assim mesmo. “Eu quero fazer o exame e estou ansiosa. E vou fazer assim mesmo.”

E para quem está adiando há muito tempo, o conselho é simples: chegue na clínica e diga que está com medo. “Isso já faz com que você se distensione”, explica o psiquiatra, “sabendo que as pessoas vão ter uma atitude mais empática.”

O que você deveria saber antes de entrar na sala

A mensagem final da Dra. Viviane resume tudo: “por debaixo do jaleco existe um ser humano absolutamente igual a você que pode ter as mesmas doenças, que tem mãe, filho, irmão. Nós, médicos, não temos doenças diferentes. Temos as mesmas doenças. E aquela sala de exame é um lugar onde você pode entrar e colocar o seu medo pra fora. Ele vai ser acolhido e redirecionado.”

Medo de fazer exame é humano, é esperado e não deve ser motivo de vergonha. Mas ele não pode ser maior do que o cuidado com a sua saúde. porque o diagnóstico precoce salva vidas e a jornada começa no momento em que você tem coragem de ir.

Está adiando um exame? O Lucilo Ávila está aqui para te receber com acolhimento, cuidado e uma equipe que entende o que você está sentindo.

Este conteúdo foi produzido com base no episódio do podcast Laudos & Conexões, com participação da Dra. Viviane Medeiros, radiologista, e do Dr. Amaury Cantilino, psiquiatra e psicoterapeuta.

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